segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Granulado futebol


Este escudo granulado é do Carioca KIF, clube da 6ª divisão da Suécia, fundado por alguns integrantes da comunidade brasileira naquele país.

Texto escrito por Ana Carolina Moreno e copiado da revista ESPN n. 14, de dezembro de 2010.

“Estocolmo é minha praia
Fundado por brasileiros, Carioca KIF usa o futebol para matar saudade de casa.

“Na Suécia em que Pelé e Garrincha começaram a construr a maior dinastia do futebol mundial, outro time de brasileiros também quer escrever sua história nos gramados. Com uma goleada por 9 a 1 no Korpens Estocolmo, o Cartioca KIF completou a campanha de 11 vitórias, 4 empates e 3 derrotas, que o levou ao título da 7ª Divisão do Campeonato Sueco. “Até a 4ª divisão o nível de todos é bem parecido, mas, quanto mais sobe, mais físico fica o jogo”, projeta o manager da equipe, o auxiliar de enfermagem Carlos Olavo Svensson, filho de sueco com brasileira, 43 anos, desde 1993 em Estocolmo.

“Svensson é um dos lideres da comunidade brasileira na Suécia, que reúne cerca de 10 mil pessoas. Ele fundou, com o irmão Alan e um amigo espanhol, Víctor Fuentes, o time há mais de uma década, sob o nome de Brasilianska. Começaram na 8ª divisão e chegaram a disputar a 7ª, mas os jogadores preferiram se aventurar em séries mais desafiadoras e o grupo se desfez em 2005. Após 3 anos de hiato, o time voltou rebatizado, fechou patrocínio com um empresário finlandês entusiasta do Brasil, que financia os quase 5 mil euros de gastos anuais, e conquistou o título já na 2ª temporada. O segredo? “É a união. Todo mundo se conhece. Acabou o jogo, vamos tomar uma cerveja juntos”, explica Svensson.

“Olhando com mais calma, porém, nota-se que a amizade entre os brasileiros (quase metade do time), os demais imigrantes (de Portugal, Espanha, Guiné-Bissau, Angola, Chile, Uruguai, Inglaterra e Tailândia) e os 4 suecos do escrete, muitos dos quais faziam parte da formação inicial, não é o único trunfo. O Car! KIF pode ser o único dos 10 times da liga que ainda joga em um campo de terra, em vez da grama artificial, mas neste ano treinou com muito mais afinco para suprir a principal carência: o preparo físico.

“Como os suecos não são tão bons de bola, eles compensam na corrida”, conta o treinador, que também se preocupa com a marcação dos brasileiros nas cobranças de escanteio. Por outro lado, quando a bola está no chão, é difícil que o Carioca perca uma dividida e, em raros momentos, ambos os lados chegam a reencenar involuntariamente a final de 1958.

“Os jogadores usam o futebol para manter um pouco do cotidiano das vidas que levavam em suas cidades natais, principalmente o Rio de Janeiro e Salvador. É o caso do zagueiro Joe Marques, de 33 anos, que desde 2007 vive com a namorada sueca em Estocolmo. De dia, ele instala sistemas de ventilação, e duas noites por semana se arruma para ir até o bairro de Zinkensdamm falar português e bater bola com os amigos. Ele resume a importância que dá ao Carioca KIF. “Ao viver em um país tão longe e sem família, você pergunta se vale a pena trocar tudo aqui por um pouco de conforto. Trancar-se dentro de casa deixa a coisa mUito mais difícil de suportar”, afirma.

“Embora a maioria dos jogadores ronde a casa dos 30 anos, um dos destaques do time é o atacante Alan Svensson, filho de Olavo. Aos 20 anos, ele acumula experiência na 3ª divisão sueca e em times de base brasileiros, como Madureira, Campo Grande e São Cristóvão. Decidiu se unir ao Carioca em 2010, enquanto se recupera de uma fissura na perna e termina os estudos, mas deve desfalcar a equipe na próxima temporada: foi chamado para um teste em uma equipe da 2ª divisão. Além de recompor o ataque, o Carioca KIF busca novos patrocínios para a próxima temporada e anuncia a peneira para selecionar jogadores. O objetivo é voar pelas próximas duas divisões e estrear na 4ª em 2012.”

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