terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Corinthians 2011


Atualmente, para clubes e empresas de materiais esportivos, nós, torcedores, somos apenas consumidores. Torcedor nenhum hoje tem voz ou vez para opinar, dialogar ou debater algo sobre o clube. Mas a diretoria do clube pensa somente no torcedor, ops!, consumidor quando vão lançar o 20º modelo de uniforme no ano, para vender mais “sócio-torcedor” (mesmo que já tenha superado a capacidade do estádio) ou aquele monte de souvenirs com o escudo do time. A conquista de títulos é essencial, pois atrai patrocinadores, novos torcedores (criança torce para o time que vence) e vende mais produtos.

Quanto às camisas do futebol brasileiro, a coisa virou piada. Hoje em dia, qualquer time, seja de capital ou do interior, é difícil descobrir aonde está o escudo do clube. Na verdade, ele atrapalha, assim como o número da camiseta. Contudo, até dentro do algarismo tem patrocínio agora. Você, torcedor, não se incomoda de pagar uma fortuna para servir de outdoor ambulante de quase uma dezena de empresas que enganam consumidores e exploram funcionários? Uma empresa de telefonia, por exemplo, que dá dor de cabeça para milhões de brasileiros (você é um deles?), patrocina o seu clube, você vestiria a camiseta tranquilamente?

“Um levantamento da Sport+Markt, líder mundial em consultoria do mercado esportivo, mostra que o Corinthians é o líder entre clubes brasileiros no quesito patrocínio de camisa, com receitas de 22 milhões de euros (cerca de R$ 50 milhões). No mundo, o time alvinegro ficou atrás apenas dos ingleses Manchester United e Liverpool e do espanhol Real Madrid em 2010.” (site Terra)

Mas na informação acima há um detalhe: o Corinthians vende todos os espaços possíveis do tecido, tornando a coisa cômica, enquanto os 3 times europeus vendem apenas a parte da frente, abaixo do escudo - nada de patrocínio nas axilas, no ombro, nas mangas, acima, abaixo e dentro do número nas costas (faltou algum lugar?). Esse 4º lugar que o Corinthians conseguiu foi às custas de ridicularizar seu uniforme, caminho este que foi pioneiro e seguido agora por todos os clubes do País.

Aqui em casa, optamos por fazer nossas próprias camisetas: prensamos 6 escudos de times por folha tamanho A4 em uma gráfica, ao custo de R$ 10 (levamos o tecido - pode prensar apenas um escudo direto na camiseta da gráfica, ao custo de R$ 17 com a peça), depois compramos a camiseta malha fria, por R$ 9, colocamos o número à escolha e nome de cada um da família nas costas, por R$ 4 no total, cortamos o escudo e costuramos. Cada camisa saiu por R$ 15.



Como a nova temporada começa no Brasil, a incrível criatividade dos designers das fabricantes floresce e mudam uma coisa aqui, outra ali, convocam a imprensa e fazem alarde: “olha a camisa para 2011!” Surge um magnífico risco diferente, colocam patrocínio novo, adotam uma nova cor e aumentam 40 reais o preço. É isso o que aconteceu com a camisa do Corinthians, em que colocaram um raio copiado do Porto, que vai relampejar em agosto as camisas de Barcelona, Inter de Milão, Juventus, Arsenal e Manchester United - todas patrocinadas pela Nike. À primeira vista parece que o monitor deu defeito. A mesma empresa conseguiu a proeza de colocar um fantástico símbolo de subtração na nova camiseta da Seleção Brasileira e aumentou também para R$ 240. O que a Nike vai fazer ano que vem? Colocar o símbolo de adição, depois de divisão, multiplicação, igualdade?


Um comentário:

  1. Muito bom o texto.É um absurdo o preço de uma camisa oficial de futebol. 150 Reais, 200, 240... e por aí vai. Daí sobra soluções como a tua ou a compre de camisetas piratas. Aqui na minha cidade uma pirata sai na casa de 30 Reais. Mas ainda assim é preciso garimpar para encontrar uma que seja bem feita.

    Já com relação ao excesso de patrocínio é outra verdade. A camisa perde a indentidade, pois acrescentam-se letras e cores que descaracterizam todo o uniforme. Esqueceu de falar que existe patrocínio nos calções. Ah! Ainda bem que os meiões ainda não tem nada de patrocinio. Mesmo o futebol de botão cheio de patrocinio acho feio. A camisa fica, o patrocinador vaí e não tá nem aí com o clube.

    Parabéns pelo texto. Abraço!!!

    www.meustimesdebotao.blogspot.com

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